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Ameaça Invísivel
Os perigos desconhecidos da poluição do Rio Batateira
Por Cibele Moraes, Gean Rodrigues, Gyselle Soares, Kaylane Oliveira e Wellington Vieira.
A cidade do Crato, no interior do Ceará, é atravessada pelo Rio Batateira que é o maior símbolo das nascentes da Chapada do Araripe. A grande riqueza de água contida e liberada aos poucos é o que faz a Região do Cariri ser verde, o que é a sua marca no meio do semiárido. A estrutura natural da permeabilidade do solo manteve a mata verde e abasteceu riachos, tal como o Rio Batateira.
Apesar da fonte da Batateira ser a de maior visibilidade da cidade do Crato, sua situação atual não faz jus a famosa letra do mestre Correinha a qual convida as pessoas a conheceram “as belezas do Crato”.
De beleza em beleza, a realidade se apresenta desprovida de encanto e digna de lágrimas ao ver que o balneário está repleto de canos por conta de uma intervenção governamental. A questão é: se a própria nascente é tratada de forma desleixada, como está a situação do resto do rio?

Fonte das Batateiras destaque dos principais pontos ao longo do Rio de mesmo nome até alcançar a cidade do Crato (Fonte: Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos – COGERH
A poluição do rio vem de esgotos domésticos clandestinos, atividades comerciais e resíduos industriais, e é composta por restos de alimentos, plástico, metal, vidro, papel e papelão, além de substâncias tóxicas no caso da poluição industrial, o que representa sérios perigos à saúde pública.
Na área da nascente, na Cascata do Lameiro e no Parque Estadual Sítio Fundão, pode-se encontrar resíduos sólidos como garrafas de plástico e vidro ou restos de comida deixados por quem utiliza essas áreas para lazer e turismo. O perigo das regiões agrícolas está na contaminação da água por agrotóxicos, enquanto na área mais urbana, que margeia o rio Batateira, existe o grande acúmulo de lixo.
Os turistas e os moradores são os mais afetados pela poluição, uma vez que pode causar prejuízo à saúde. Entretanto, essas águas poluídas impactam não só a população local, mas também a fauna e flora que lá se encontram
O esgoto lançado diretamente no curso da água sem tratamento causa risco ao habitat aquático, diminui o nível de oxigênio dissolvido e contamina a cadeia alimentar pela presença de substâncias tóxicas.
Estudos recentes apontam que os humanos acabam também sendo prejudicados por essa poluição, por conta da carne de peixe que serve como alimentação principalmente para as classe mais pobres que, sem saber, acabam por ingerir esse alimento contendo microplástico que se aloja na corrente sanguínea causando pouco a pouco problemas de saúde.

Na cascata formada pelas águas desse rio, as pessoas tomam banho e não fazem ideia de que aquela água gelada e aparentemente limpa é capaz de causar doenças gastrointestinais como amebíase, disenteria bacteriana, esquistossomose, além das conhecidas hepatites A e E, leptospirose, infecções de pele e parasitose.

“Quem toma banho nesse cascata está tomando banho em coliforme fecal” - Weber Girão, biólogo
O geólogo e presidente da Sociedade Anônima de Água e Esgoto do Crato (SAAEC), empresa responsável pelo tratamento de água e esgoto da cidade, Yarley Brito, afirma que o problema da poluição vem desde a invasão europeia no Brasil, pois trouxe a cultura de despejar tudo em rios e assim o Brasil segue até hoje, o que não é diferente no Rio Batateira. A poluição não tem uma solução fácil, e com a mudança de estações durante o ano, no verão em particular, os dejetos humanos descem com muita mais facilidade para a área do Geossítio Batateiras.
Nos bairros mais próximos à serra, os balneários são famosos por utilizarem águas diretamente do rio, ou como chamam, ‘água do pé da serra’, balneários como a Nascente e o Oásis são um dos maiores exemplos de locais que usufruem livremente dessa água. Em qualquer momento é possível visitar a nascente e ver pessoas lavando seus automóveis e se divertindo.
Animais da região ameaçados
A biodiversidade se apresenta em várias camadas, engloba espécies, comunidades, paisagens e o ser humano como parte integrante desse todo. As ocupações humanas do solo através das plantações, pecuária extensiva, loteamentos, construção de casas, sítios e clubes recreativos causam impactos negativos. O desmatamento indiscriminado afeta espécies do Cerrado e Caatinga e até mesmo a vegetação remanescente da Mata Atlântica, que compõe a área que margeia o rio.
O uso de fertilizantes agrícolas, deposição e acúmulo inadequado de lixo, desvio das águas, poluição da água, do solo e do ar e compactação do terreno causam uma redução da fertilidade do solo e da capacidade de infiltração de água. Essas mudanças afetam diretamente espécies que dependem dessas fontes para sobreviver.
Vale destacar também que os produtos químicos presentes em sabão, detergente, e alvejante causam a contaminação das águas. Quando esses detritos se decompõem, acabam por usar o oxigênio presente na água causando o desequilíbrio em seu nível, o que provoca a morte por intoxicação de peixes, outros animais aquáticos e aves que vivem e se alimentam em rios, o que acaba contribuindo para o risco de extinção dessas e outras espécies que vivem na área.
A grande concentração desses nutrientes que são gerados pela degradação da matéria orgânica cria a eutrofização, reprodução de algas que impedem a passagem da luz na superfície. Essas algas são visíveis nas margens do Rio Batateiras, sendo facilmente encontradas logo que as pessoas chegam perto. É preciso tomar cuidado ao pisar para não correr o risco de escorregar.
Algo que torna o trabalho dos ambientalistas mais difícil é a falta de apoio por parte de instituições públicas. Segundo Weber, o Conselho Ambiental da cidade do Crato está funcionando com lentidão e deficiência após a pandemia. Por conta do distanciamento social provocado pelo Coronavírus, as reuniões pararam de acontecer presencialmente, enfraquecendo e desestimulando o grupo a continuar lutando em prol da pauta ambiental.
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